Você ama a dor ?

A resposta a pergunta do título parece ser quase óbvia:

em condições normais, uma boa parte das pessoas responderia:

– Não. Eu não amo!

Pelo contrário, nossa mente e corpo são programados

para evitar qualquer tipo de desconforto.

Menores e maiores.

E assim que nosso corpo detecta alguma possibilidade de algo que não esteja bem

dispara uma espécie de alarme, desde uma chamada de atenção

até mesmo uma interrupção total do organismo.

A corrida se fez e se faz presente na minha vida em vários momentos.

De modo recreativo, pois não tenho e nunca tive o esporte como atividade profissional,

mas sim, como algo lúdico, seja para aliviar o stress

ou mesmo para manter uma forma saudável.

A tão buscada qualidade de vida.

Conheço uma série de histórias e vocês devem conhecer também,

de sedentários e estressados que encontraram na corrida

uma outra forma de se relacionar consigo próprio e com o mundo ao seu redor.

Dos quais me incluo.

Boa parte dos não mais meus 42kg foram deixados para trás

nos últimos 5 anos em muitas ruas e avenidas do Brasil.

O curioso é que todo aquele ou todos aqueles

que não praticam a corrida de modo profissional

atendem por ( Ama dor ou Ama dores).

Qual o tamanho do amor as dores que nós, não profissionais,

estamos dispostos a sofrer em busca de determinados objetivos?

Sabe-se que não há conquista sem renúncia e para alcançarmos algo

que esteja estabelecido como uma meta ou sonho,

renunciar para conquistar será inevitável.

dor

Na medida em que o envolvimento com a prática da corrida se intensifica,

os objetivos, metas e sonhos iniciais tem grandes chances de se renovarem.

Para quem gosta de desafios e de se desafiar é um prato cheio.

Perder mais peso, diminuir o percentual de gordura, baixar o pace,

melhorar o tempo de prova,

seriam alguns destes desafios comuns a vários de nós.

Quanto maior o nível de exigência maior deverão ser os sacrifícios,

as restrições e mais árdua se torna a tarefa de conciliar

uma programação de treinos com a vida como ela é.

Ao mesmo tempo, receber elogios, palavras de incentivo, apoio mesmo,

de quem nos acompanha e percebe nossa evolução,

é um combustível muito poderoso para seguirmos crescendo.

Neste ponto, tenho trabalhado com alguns clientes,

tanto corredores como profissionais liberais,

uma equação simples de entender mas nem tanto para se lidar:

– como eu sou x como gostaria de ser x como os outros gostariam que eu fosse-

E aqui a chance de quebrar é grande.

Pois o determinante será o peso que será dado

a qualquer uma das três partes da equação.

E caso ambas entrem em conflito, bem, aí sai da frente!

Quebradeira a vista!

Após pesquisada rápida no google,

encontrei só de 2012 para cá uma série de matérias

e reportagens sobre doping entre amadores.

Sim, Amadores!

Não nos admiramos por inteiro.

Sim eu gostaria de ser diferente do que sou em certos aspectos.

Gostaria de ter mais tempo para treinar, ter menos preguiça,

não ficar tão cansado, não matar treinos as vezes,

que as dores não atrapalhassem,

ter mais força e mais velocidade para correr.

Eu queria!

Desejar todas essas coisas é legítimo e verdadeiro.

Mas não podemos abrir mão da nossa essência.

Entrarmos em contato com quem de fato somos pode sim doer.

Mas um outro tipo de dor.

De frustração, chateação, incompreensão, indignação.

Dores que não tem chance de serem amadas.

De jeito nenhum.

Mas as vezes elas se apresentam.

E costumam ter razões para surgirem.

Informar sobre quem realmente somos.

Que o doping esteja no desejo de crescer e evoluir

de forma autêntica, limpa e honesta.

Que possamos encontrar boas dosagens de amor no que temos feito.

Do contrário, alimentaremos um mundo de fantasia, irreal e fictício.

De mentira.

Fonte : texto escrito pelo Psicólogo Rafael Homem de Carvalho 

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