Recuperação: tão ou mais importante que o Treinamento

Há muitos casos em que um corredor de rua treina muito ou realiza o mesmo treinamento todos os dias e o desempenho dele nas provas e nos treinamentos não evolui.

Provavelmente, uma das respostas mais apropriada a esta questão é a recuperação inadequada entre as atividades.

Conhecida tecnicamente pelo nome de “Anabolismo”, a recuperação entre as atividades é composta pelo descanso do treino realizado e pela alimentação para repor os “combustíveis” utilizados após a atividade.

Existe um Princípio Biológico para a prescrição de exercícios físicos chamado “Princípio da Supercompensação”, que aborda o funcionamento entre o estímulo (exercício físico) e sua recuperação.

Para ficar mais fácil a compreensão, vamos mostrar na figura o funcionamento dele:

O nosso organismo, para que os sistemas fiquem em equilíbrio, permanece numa “Linha de Homeostase” (1).

Quando realizamos um exercício físico, esta “Linha de Homeostase” é quebrada (2), uma vez que os “combustíveis” utilizados na atividade são utilizados para um bom funcionamento do corpo na atividade. Esta fase é chamada de “Catabolismo”.

Após o treino, a recuperação (3) é iniciada com uma alimentação e um descanso adequados, na fase que chamamos de “Anabolismo”.

Para não sofrer uma nova “agressão” com o estímulo do exercício físico, o organismo amplia sua recuperação ao se preparar para uma nova carga de treino (4).

Esta “ampliação” da recuperação é chamada de “Supercompensação”.

Através da “Supercompensação” que o intervalo dos treinos deve ser planejado, para que as melhoras no desempenho da corrida apareçam e que não seja apresentada a “Síndrome do Overtraining” (Excesso de Treinamento) ou o aparecimento de lesões com um intervalo curto de recuperação, e a perda de todos os ganhos obtidos com o intervalo de recuperação muito longo.

Falamos da recuperação, que deve existir um intervalo entre um treino e outro, mas quanto tempo deve durar este intervalo e como ele deve ser feito ?.

Entre um treinamento e outro, depende de qual atividade será feita e e qual (is) capacidade (s) física (s) será (ão) utilizada(s).

Utilizaremos uma tabela para colocarmos o tempo ideal para aplicarmos um novo estímulo de treinamento, igual ao que foi aplicado (PLATANOV & BULATOVA, 1992 citado por MONTEIRO&LOPES, 2009):

Analisando a tabela acima, uma vez que a Corrida de Rua tem como predominância a Resistência Aeróbia, os intervalos mais adequados para o mesmo método de treino são, em média, de 48 horas.

Ou seja, se for fazer um treinamento intervalado (predomínio da Resistência Aeróbia Máxima), o organismo estará totalmente recuperado em 48 horas e, 2 dias depois de realizado, ele pode ser feito novamente.

Ainda neste exemplo do Treinamento Intervalado, o corredor pode, durante estas 48 horas de recuperação deste método, fazer outra atividade física como a Musculação, a Natação, o Ciclismo ou, até mesmo correr numa intensidade mais leve, cujo predomínio é da Resistência Aeróbia Submáxima e esta não trará nenhum prejuízo aos treinos do atleta (pode até mesmo ajudá-lo).

A recuperação é tão ou mais importante quanto o treinamento em si.

Sem energia suficiente vinda da alimentação e do descanso, dificilmente um praticante de exercícios evoluirá com o treino, correndo o risco até de se desmotivar com a prática da corrida ao não ver esta evolução.

Além do treino, vale a pena “investir” numa alimentação adequada, num repouso e na utilização de outras atividades para se ter sucesso na corrida.

Ótimos resultados virão e o organismo agradece.

Fonte : www.runningnews.com.br

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