O Amor Verdadeiro

Não existe amor perfeito, se o coração não é perfeito.

Amor não se pesa, não se mede, não se avalia.

Não se dá, não se perde, não se rouba.

O amor sozinho é suficiente a si mesmo.

O que nos resta é a nossa capacidade para entendê-lo, acolhê-lo

e tomarmos conta dele sem que possamos alterá-lo na nossa vida de alguma forma.

O amor se oferece a nós gratuitamente, como todo dom. Mas questionamos sempre.

E tropeçamos nas nossas pernas tentando moldá-lo ao nosso jeito, à nossa visão,

à nossa vontade como se ele fosse uma coisa qualquer que pudesse ser modificada.

Somos pequenos e o amor é grande; somos pequenininhos e o amor é imenso,

rico, cheio de mistérios e felicidades que nem podemos imaginar que existam.

E perdemos o amor porque perdemos a razão dele.

Perdemos, porque perdemos o senso de nos contentar com o que ele pode nos oferecer.

Perdemos, porque exigimos demais, cobramos demais, sufocamos demais.

Ser feliz no amor é guardar a capacidade de vê-lo feliz.
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Se fazemos dos nossos braços uma prisão em nome do amor, a quem fazemos feliz?

Com nossa insaciável sede de querer ter sempre mais do que a vida nos oferece

acabamos sem nada, porque não soubemos valorizar o pouco,

mas verdadeiro, que recebemos.

Jogamos fora com nossas mãos o que nelas foi colocado para ser bênção.

E tudo isso porque somos humanos, seres feridos e cheios de cicatrizes,

sangrados e machucados pelos percalços da vida.

Mas quando a gente ama muito uma pessoa

precisa aprender a deixar a própria dor de lado

de vez em quando para estar do lado da pessoa que a gente ama,

principalmente se sabemos que essa pessoa está ferida também.

E não é bom questionar o amor, mas vivê-lo;

porque o amor em si, mesmo imperfeito, já é um presente sem preço.

Fonte : texto de Letícia Thompson

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