Corra da Crise

Tensão no cenário político, medo de perder o emprego, grana curta, uma notícia pior do que a outra nos jornais e na televisão.

Haja otimismo e autocontrole para atravessar ileso a fase que nós, brasileiros, vivemos hoje.

Momentos como esse provocam um verdadeiro turbilhão emocional e apresentam reflexos na saúde de populações inteiras.

Em países como Espanha e Grécia, por exemplo, que sofreram profundamente os efeitos da crise econômica mundial detonada em 2008 e enfrentaram taxa de desemprego na casa dos 20%, os sistemas de saúde locais registraram aumento significativo nos índices de abuso de álcool, depressão e ocorrência de infartos.

Por aqui não é diferente. “Quadros de ansiedade e perda de confiança e crises de autoestima crescem no consultório em momentos como o atual”, fala a psicoterapeuta Maura de Albanesi, de São Paulo. “Se não observadas e tomadas medidas adequadas, queixas que começam como uma insegurança podem evoluir para transtornos sérios, como síndrome do pânico e depressão”, completa.

A crise existe e, para a maioria das pessoas, pouco pode ser feito para mudar concretamente a situação.

A responsabilidade de encontrar ferramentas para enfrentar com serenidade o período difícil, por outro lado, está nas mãos de cada um.

Meditar, adotar um hobby, passar mais tempo com a família são alternativas que injetam prazer e calma no dia a dia.

Correr também.

Além de liberar serotonina e endorfinas, substâncias que relaxam e aumentam a sensação de felicidade e bem-estar, o esporte tem um poder transformador sobre a autoconfiança, abalada em momentos difíceis.

“A corrida mostra que é possível evoluir e se superar por meio do seu esforço e dedicação”, destaca o psicólogo do esporte Maurício Pinto Marques.

“É uma maneira de se ver como protagonista da própria vida. Em um momento em que é comum se sentir paralisado diante das adversidades, adotar uma atividade que permita o desenvolvimento pessoal e a realização de metas eleva a autoestima”, completa.

Há, ainda, o fator social do esporte. Para muitos atletas, o encontro com a turma de treino, a troca de experiência e o astral das provas de rua são os atrativos principais da corrida. “A sensação de pertencer a um grupo é um fator poderoso para aumentar a confiança em si mesmo e perceber que você não está sozinho, ainda que as circunstâncias o coloquem para baixo”, destaca Maurício.

crise

Correr também atua sobre outros problemas que vêm junto com as preocupações em períodos de incerteza:

Insônia: o medo de perder o emprego ou de não conseguir fechar o mês no azul tira o sono de muita gente. Para quem está empregado, o excesso de atribuições por conta de equipes enxutas é que acaba rendendo noites em claro e estresse nas alturas. As substâncias liberadas durante e depois de atividades moderadas a intensas, como a corrida, favorecem o relaxamento e a qualidade do sono. Treinar três ou quatro vezes por semana por, pelo menos, 40 minutos é receita comprovada para dormir melhor.

Obesidade: o estresse libera cortisol, hormônio que, em excesso, tende a levar ao acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal. Como se não bastasse, é comum encontrar quem desconte na comida a ansiedade enfrentada no dia a dia ou mesmo acabe descuidando da qualidade das refeições. Correr é das modalidades mais eficientes para detonar os quilos extras e controlar fatores associados ao ganho de peso, como colesterol alto e hipertensão, que, ainda por cima, colocam em risco a saúde do coração.

Falta de libido: talvez você já tenha percebido que o estresse afeta a vontade de transar. Isso se dá porque o cortisol, liberado em situações de muita tensão, inibe a produção de testosterona, o hormônio que responde pelo desejo sexual. A boa notícia: um estudo na Universidade da Califórnia (EUA) revelou que pessoas que praticam atividade aeróbica moderada regularmente (40 minutos por dia, em média) têm, pelo menos, duas vezes mais atividade sexual do que as sedentárias.

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